
Mercado Imobiliário de Pernambuco: crescimento, turismo e oportunidades de investimento.
Uma análise da Região Metropolitana do Recife e do litoral sul pernambucano, considerando o desempenho do mercado imobiliário, a expansão do turismo, a procura por segunda residência e os fatores que influenciam as decisões de compra e investimento.
Introdução
Pernambuco reúne características que tornam seu mercado imobiliário diversificado e particularmente interessante para quem deseja adquirir um imóvel para morar, utilizar como segunda residência ou investir. De um lado, a Região Metropolitana do Recife concentra atividades econômicas, serviços, infraestrutura urbana, centros empresariais, instituições de ensino, hospitais e uma demanda habitacional associada à população que vive e trabalha na região. De outro, o litoral sul apresenta uma dinâmica fortemente relacionada ao turismo, ao lazer, à segunda residência e à expansão de empreendimentos voltados à hospedagem e à locação por temporada.
Embora tenham características distintas, esses dois mercados fazem parte de um mesmo cenário de desenvolvimento regional. A capital e os municípios metropolitanos possuem uma dinâmica urbana e econômica própria, enquanto os destinos litorâneos combinam atrativos naturais, atividade turística, infraestrutura de lazer e oportunidades imobiliárias direcionadas a diferentes perfis de compradores.
Nos últimos anos, o mercado imobiliário pernambucano apresentou movimentação expressiva. Os resultados de vendas registrados na Região Metropolitana do Recife em 2025, somados ao crescimento da atividade turística estadual e à expansão da oferta de empreendimentos no litoral sul, demonstram a importância de acompanhar esses movimentos para compreender as possibilidades e os desafios do setor.
Mais do que observar números isolados, é necessário entender o que está por trás deles: quem compra, quais imóveis estão sendo lançados, onde a demanda se concentra, quais fatores influenciam a procura e como as características de cada região interferem na decisão de aquisição.
1. Região Metropolitana do Recife: um mercado imobiliário em expansão
A Região Metropolitana do Recife ocupa posição central na economia pernambucana e exerce influência direta sobre a dinâmica imobiliária do estado. A concentração de empregos, serviços, comércio, saúde, educação, mobilidade e atividades empresariais sustenta uma demanda habitacional diversificada, que abrange desde imóveis destinados à primeira moradia até empreendimentos de médio e alto padrão.
Recife, como principal centro urbano e econômico de Pernambuco, concentra uma parcela importante dessa movimentação. Entretanto, o mercado metropolitano não se limita à capital. Municípios como Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista, Camaragibe e Cabo de Santo Agostinho também participam desse contexto, cada um com características próprias de localização, infraestrutura, perfil de moradores e oferta imobiliária.
A escolha de um imóvel na região depende de fatores que vão além do preço por metro quadrado. Proximidade do trabalho, acesso a serviços, mobilidade, segurança, infraestrutura do bairro, padrão construtivo, disponibilidade de equipamentos urbanos e perspectivas de desenvolvimento da área são aspectos que influenciam tanto a procura quanto a percepção de valor de uma propriedade.
1.1. Recorde de vendas e desempenho do mercado em 2025
Um dos indicadores mais relevantes do desempenho recente do setor foi o resultado alcançado pela Região Metropolitana do Recife em 2025.
De acordo com pesquisa da Brain Inteligência Estratégica encomendada pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (ADEMI-PE), o Valor Geral de Vendas (VGV) comercializado chegou a aproximadamente R$ 10,1 bilhões, representando crescimento de 53% em relação a 2024. No mesmo período, foram comercializadas 12.061 unidades habitacionais, resultado que colocou o mercado metropolitano em um patamar expressivo de movimentação.
O levantamento também apontou aproximadamente R$ 5,8 bilhões em VGV de lançamentos no período. A comparação entre o volume financeiro comercializado e o valor dos lançamentos ajuda a compreender a dimensão da absorção de produtos imobiliários pelo mercado, embora os dois indicadores representem operações diferentes: um se refere às vendas realizadas e o outro ao valor dos empreendimentos lançados.(*)
Esses resultados demonstram a força da atividade imobiliária na região e reforçam a importância de acompanhar a relação entre oferta, demanda, estoque disponível e perfil dos produtos comercializados. Não significam, isoladamente, que todos os imóveis tenham registrado valorização na mesma proporção, nem que todos os segmentos tenham apresentado desempenho idêntico.
O crescimento do VGV pode decorrer de uma combinação de fatores, como aumento da quantidade de unidades comercializadas, mudança no perfil dos imóveis vendidos, preços dos produtos lançados e participação de diferentes faixas de mercado. Por isso, a análise deve considerar também o número de unidades, as tipologias e a distribuição geográfica dos empreendimentos.
1.2. A diversidade da demanda imobiliária
O mercado da Região Metropolitana do Recife atende a públicos com necessidades e condições financeiras distintas. Há compradores que procuram o primeiro imóvel, famílias que desejam ampliar ou melhorar suas condições de moradia, consumidores que buscam imóveis próximos ao trabalho e investidores interessados em renda de locação ou preservação patrimonial.
O segmento econômico possui participação importante na atividade imobiliária, especialmente em razão dos programas habitacionais e das condições de financiamento. Ao mesmo tempo, existe demanda por imóveis de médio, médio-alto e alto padrão, com localização privilegiada, plantas diferenciadas, infraestrutura de lazer, serviços próximos e características construtivas que atendam a um público mais exigente.
Essa diversidade explica por que a análise do mercado não deve se limitar a um único indicador geral. O desempenho de um empreendimento econômico pode responder a condições diferentes daquelas que influenciam a procura por apartamentos de alto padrão em bairros consolidados do Recife.
Para quem pretende comprar, é importante identificar o segmento ao qual o imóvel pertence e compreender o comportamento da demanda correspondente. Para quem investe, essa leitura ajuda a evitar comparações inadequadas entre produtos que possuem públicos, finalidades e condições de comercialização diferentes.
1.3. Preços anunciados e comportamento do mercado
Acompanhar a evolução dos preços é outra parte importante da análise imobiliária. Entretanto, é necessário distinguir os preços anunciados daqueles efetivamente negociados nas transações.
O Índice FipeZAP, por exemplo, acompanha preços de imóveis residenciais anunciados na internet. No informe de dezembro de 2025, o indicador registrou para Recife variação acumulada de 4,57% em 2025, com preço médio anunciado de R$ 8.446 por metro quadrado. A amostra considerada para a capital pernambucana foi de 38.765 anúncios.(***)
Esse indicador oferece uma referência para acompanhar o comportamento dos preços de oferta na cidade, mas não representa uma pesquisa de todos os imóveis existentes nem equivale ao preço médio efetivamente pago nas escrituras e contratos. Também não deve ser extrapolado automaticamente para todos os municípios da Região Metropolitana ou para o litoral pernambucano.
Para o comprador, essa distinção é relevante: o preço anunciado constitui o ponto de partida de uma negociação, enquanto o valor final depende das características do imóvel, da localização, do estado de conservação, das condições comerciais e das circunstâncias da transação.
Assim, a análise de preços deve utilizar indicadores reconhecidos, identificar a área geográfica abrangida e respeitar a metodologia de cada levantamento.
2. Litoral sul de Pernambuco: turismo, segunda residência e mercado imobiliário
O litoral sul pernambucano apresenta uma dinâmica imobiliária diferente daquela observada na capital e nos municípios metropolitanos. Sua atratividade está associada à combinação de praias, paisagens naturais, turismo, gastronomia, atividades de lazer e empreendimentos voltados à hospedagem e à segunda residência.
Entre os destinos mais conhecidos estão Porto de Galinhas, Muro Alto, Cupe, Serrambi, Maracaípe, Praia dos Carneiros e outras localidades de Ipojuca e Tamandaré. Cada trecho possui características próprias de ocupação, infraestrutura, acesso, serviços e perfil turístico.
A presença de destinos reconhecidos nacionalmente contribui para a circulação de visitantes e para a procura por imóveis destinados ao uso próprio, ao lazer familiar e à locação de curta temporada. Esse movimento também estimula o desenvolvimento de restaurantes, comércio, serviços, hospedagens e empreendimentos imobiliários.
É importante, contudo, compreender que o litoral sul não constitui um mercado homogêneo. A localização exata, a distância da praia, o acesso viário, a infraestrutura do entorno e o padrão do empreendimento podem produzir diferenças significativas entre imóveis situados no mesmo município.
2.1. Turismo como fator de desenvolvimento regional
O turismo é um dos elementos que ajudam a explicar a atratividade imobiliária do litoral pernambucano. A atividade movimenta hospedagem, alimentação, transporte, comércio, entretenimento e serviços, criando oportunidades econômicas para os municípios que recebem visitantes.
Os dados oficiais divulgados pela Secretaria de Turismo de Pernambuco e pela EMPETUR, com base no Índice de Atividade Turística da Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE, demonstraram crescimento do setor no estado.
No acumulado de janeiro a novembro de 2025, o volume de atividades turísticas em Pernambuco avançou 3,7% em comparação com o mesmo período de 2024, enquanto a receita nominal apresentou crescimento de 10,2%. Na comparação com o período equivalente de 2019, anterior à pandemia, o volume de atividades ficou 9,6% maior e a receita nominal registrou expansão de 55,2%.(**)
Esses números indicam que a atividade turística estadual superou os níveis pré-pandemia considerados na comparação e manteve trajetória de expansão. A receita nominal, entretanto, não corresponde necessariamente ao crescimento real do volume de serviços, pois também pode refletir alterações de preços.
Para o mercado imobiliário, o fortalecimento do turismo representa um fator relevante porque amplia a circulação de pessoas, movimenta a economia local e pode sustentar a procura por diferentes modalidades de hospedagem. Entretanto, o crescimento do turismo estadual não deve ser interpretado como garantia de ocupação ou rentabilidade para qualquer imóvel específico.
A atratividade de um empreendimento depende de sua localização, estrutura, administração, condições de conservação, custos operacionais, concorrência e adequação ao público que visita o destino.
2.2. Porto de Galinhas, Muro Alto e o polo turístico de Ipojuca
O município de Ipojuca reúne alguns dos destinos turísticos mais conhecidos de Pernambuco. Porto de Galinhas possui uma estrutura consolidada de hospedagem, comércio, restaurantes, serviços e atividades de lazer. Sua notoriedade nacional e a diversidade de atrações contribuem para a procura de visitantes durante diferentes períodos do ano.
Muro Alto, por sua vez, apresenta características que favorecem o turismo de lazer e a segunda residência. A paisagem da praia, a formação de piscinas naturais em determinados trechos e a presença de grandes empreendimentos com infraestrutura de lazer contribuíram para consolidar a região como um dos polos de hospedagem e descanso do litoral pernambucano.
A Praia do Cupe e outras localidades próximas complementam esse conjunto turístico, com diferentes configurações de praia, empreendimentos e serviços. A proximidade entre esses destinos permite ao visitante aproveitar uma variedade de experiências, embora as condições de acesso e a distância entre os pontos devam ser consideradas na escolha de um imóvel.
A procura por unidades compactas, flats e apartamentos com estrutura de lazer está relacionada, em parte, à possibilidade de utilização em períodos de férias e feriados, além da eventual exploração de locação por temporada. Já imóveis maiores podem atender famílias que procuram uma segunda residência para estadias mais prolongadas.
A escolha entre essas alternativas deve considerar o objetivo da aquisição. Um imóvel destinado ao uso familiar pode exigir características diferentes daquelas desejadas por quem pretende disponibilizá-lo para hospedagem.
2.3. Tamandaré e Praia dos Carneiros
Tamandaré ganhou destaque no cenário turístico pernambucano especialmente pela presença da Praia dos Carneiros, conhecida por suas paisagens naturais, águas claras, coqueirais e atrativos associados ao lazer e à gastronomia.
A região reúne características que favorecem a procura por imóveis de segunda residência e empreendimentos destinados à hospedagem. A presença de restaurantes, passeios, serviços turísticos e estruturas de lazer contribui para a experiência dos visitantes e para a atratividade do destino.
A expansão imobiliária observada em Tamandaré acompanha o interesse crescente por produtos associados ao turismo litorâneo. Há empreendimentos com apartamentos compactos, unidades de dois quartos e projetos com infraestrutura de lazer mais ampla, voltados a diferentes perfis de compradores.
O comportamento do mercado local, porém, precisa ser analisado com atenção. A proximidade da praia, o acesso, a infraestrutura urbana, os serviços disponíveis e a qualidade do empreendimento podem influenciar de maneira significativa a procura e a liquidez de cada produto.
Um levantamento da Brain Inteligência Estratégica apresentado em parceria com a ADEMI-PE e divulgado em 2025 apontou a expansão da oferta imobiliária em Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Tamandaré. A pesquisa identificou mais de 16,5 mil unidades lançadas nessas três áreas até setembro de 2025, com forte participação de imóveis compactos e de empreendimentos lançados a partir de 2022.
O estudo também indicou que grande parte da oferta analisada ainda estava em construção ou na planta. Esses dados demonstram a intensidade da atividade de lançamentos e a transformação do mercado litorâneo, mas não significam que todas as unidades tenham sido vendidas ou que todos os empreendimentos apresentem o mesmo ritmo de comercialização.
2.4. A ocupação hoteleira e a sazonalidade
Os índices de ocupação hoteleira ajudam a compreender a força dos destinos turísticos, especialmente nos períodos de maior movimento. Entretanto, precisam ser interpretados considerando a época em que foram coletados.
Em levantamento divulgado pela EMPETUR para o período de Réveillon 2025, Ipojuca registrou ocupação hoteleira de 96,20%, enquanto Tamandaré alcançou 94,18%. A pesquisa estadual consultou 184 meios de hospedagem em 22 municípios, considerando o período de 27 de novembro a 30 de dezembro.
Os resultados demonstram a elevada procura por hospedagem nesses destinos durante a temporada de fim de ano. Contudo, são indicadores de um período específico e não representam a ocupação média anual dos municípios, muito menos a taxa de ocupação de cada apartamento anunciado para locação por temporada.
Para o investidor, essa diferença é fundamental. A demanda turística pode variar conforme o calendário de férias, feriados, eventos, condições climáticas e características do destino. A receita de uma unidade depende também da capacidade de divulgação, da gestão da hospedagem, dos custos de operação e da concorrência disponível.
Por isso, índices de ocupação hoteleira devem ser utilizados como referências sobre o movimento turístico, e não como promessa de desempenho financeiro de um imóvel residencial.
3. A expansão imobiliária no litoral sul e o perfil dos empreendimentos
A expansão da oferta imobiliária no litoral sul acompanha a consolidação de destinos turísticos e o interesse por imóveis voltados ao lazer e à hospedagem. O levantamento da Brain apresentado em parceria com a ADEMI-PE em 2025 identificou mais de 16,5 mil unidades lançadas em Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Tamandaré até setembro daquele ano.
Ipojuca concentrava o maior volume de lançamentos entre os municípios analisados, com 7.576 unidades, das quais 6.097 eram compactas, segundo os dados divulgados sobre o estudo.
A participação expressiva de unidades compactas evidencia a presença de um modelo de produto imobiliário associado ao uso sazonal, à segunda residência e à possibilidade de locação de curta duração. Apartamentos menores podem atender compradores que buscam um imóvel de lazer com menor área privativa, enquanto empreendimentos com áreas comuns e serviços de apoio procuram oferecer uma experiência de hospedagem mais completa.
Também existem projetos com unidades maiores, voltados a famílias que desejam mais espaço e privacidade. A diversidade de tipologias permite atender a diferentes necessidades, mas exige atenção à finalidade de cada aquisição.
Um imóvel compacto em um empreendimento com estrutura de lazer pode ter uma proposta de uso diferente de um apartamento residencial destinado à permanência contínua de uma família. Da mesma forma, um projeto de alto padrão à beira-mar possui características distintas de um empreendimento localizado em áreas mais afastadas da praia.
A comparação entre produtos deve considerar, além da metragem e do preço, a qualidade construtiva, a infraestrutura do condomínio, os custos condominiais, a administração, as regras de utilização e a oferta de serviços no entorno.
3.1. Infraestrutura e desenvolvimento econômico
A infraestrutura é um dos fatores que influenciam a evolução dos mercados imobiliários. Melhorias em rodovias, mobilidade, saneamento, abastecimento, energia, serviços públicos e equipamentos urbanos podem contribuir para ampliar a integração regional e melhorar as condições de ocupação de determinadas áreas.
No litoral sul, a relação com o complexo industrial e portuário de Suape também merece atenção. A proximidade com atividades industriais, logísticas e empresariais cria uma dinâmica econômica que não se restringe ao turismo.
Projetos de expansão e investimentos em infraestrutura podem gerar empregos, movimentar fornecedores e ampliar a demanda por moradia nos municípios próximos. Esse efeito, entretanto, depende da efetiva execução dos projetos, do cronograma das obras, do volume de empregos gerados e do perfil dos trabalhadores envolvidos.
É importante distinguir, portanto, os empreendimentos voltados à segunda residência e ao turismo daqueles destinados à moradia permanente de trabalhadores e famílias que vivem na região. São demandas diferentes e que podem exigir produtos imobiliários distintos.
Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Tamandaré apresentam características próprias nesse contexto. A proximidade de Suape e de atividades industriais tem importância particular para determinados setores de Cabo e Ipojuca, enquanto Tamandaré possui uma dinâmica mais diretamente associada ao turismo e à segunda residência.
O desenvolvimento regional pode ampliar oportunidades, mas não deve ser utilizado isoladamente como justificativa para afirmar que um imóvel terá valorização futura. A análise precisa considerar a localização específica, a infraestrutura existente, os projetos efetivamente confirmados e a relação entre oferta e demanda.
4. Imóveis como alternativa de investimento: renda, patrimônio e finalidade de uso
O investimento imobiliário pode atender a diferentes objetivos. Alguns compradores procuram uma propriedade para preservação patrimonial e utilização futura; outros desejam obter renda com locação residencial ou por temporada; há também quem adquira um imóvel para uso próprio e lazer, sem ter a geração de renda como prioridade.
No mercado metropolitano, a demanda por locação pode estar relacionada à concentração de empregos, universidades, hospitais, comércio e serviços. No litoral, a procura pode apresentar maior relação com o turismo, as férias, os feriados e a segunda residência.
Essa diferença influencia a escolha do imóvel e a forma de analisar seu potencial econômico.
4.1. Locação residencial e locação por temporada
A locação residencial tradicional costuma estar associada a contratos de maior duração e à demanda de moradores que precisam de uma residência próxima ao trabalho, aos serviços e à infraestrutura urbana.
A locação por temporada possui outra dinâmica. A receita pode variar conforme a época do ano, a procura turística, o número de diárias, a concorrência e a qualidade da operação. Em destinos litorâneos, os períodos de alta temporada podem concentrar parte importante da demanda, enquanto outros meses podem apresentar movimento menor.
A existência de uma estrutura de lazer, a proximidade da praia, a facilidade de acesso, a qualidade dos ambientes e os serviços disponíveis podem contribuir para a atratividade de uma unidade. Ainda assim, esses fatores não asseguram ocupação contínua.
O investidor deve considerar as despesas de condomínio, manutenção, administração, limpeza, mobiliário, plataformas de hospedagem, tributos e eventuais períodos sem locação. A receita bruta não representa o resultado líquido do investimento.
Também é necessário verificar a convenção condominial, o regulamento interno e as condições jurídicas aplicáveis à utilização da unidade para hospedagem por temporada. Nem todo empreendimento possui as mesmas regras ou características operacionais.
4.2. Localização, liquidez e características do empreendimento
A localização continua sendo um dos fatores mais relevantes na análise imobiliária. Na Região Metropolitana do Recife, a proximidade de serviços, centros de trabalho, mobilidade e infraestrutura urbana pode influenciar a procura por imóveis.
No litoral, a distância da praia, o acesso, a infraestrutura turística e a oferta de serviços no entorno ganham importância. Entretanto, estar próximo ao mar não é o único critério: a qualidade do empreendimento, a manutenção, a segurança, a administração e a adequação da tipologia ao público também precisam ser avaliadas.
A liquidez, ou seja, a facilidade de revenda de um imóvel, é outro aspecto importante. Ela depende da combinação entre preço, localização, características do produto, condições de financiamento e demanda existente. Imóveis muito específicos podem atender a um público menor, enquanto produtos mais alinhados às necessidades de uma região podem alcançar um universo maior de compradores.
Não existe uma tipologia que seja automaticamente a melhor para todos os investidores. Um apartamento compacto pode fazer sentido para determinado objetivo, enquanto uma unidade maior pode ser mais adequada para quem deseja utilizar o imóvel com a família.
4.3. Como analisar o retorno de um investimento imobiliário
Uma análise responsável deve considerar o custo total de aquisição e as despesas relacionadas à propriedade. Além do preço do imóvel, podem existir custos com documentação, impostos, registro, mobiliário, equipamentos e eventuais adaptações.
Quando o objetivo é obter renda, é necessário estimar receitas de forma realista e considerar períodos de vacância, despesas operacionais e custos de administração. A rentabilidade deve ser calculada sobre o resultado líquido, e não apenas sobre a receita bruta prevista.
Também é importante avaliar o horizonte de investimento. Um comprador que pretende utilizar o imóvel por muitos anos pode atribuir valor ao conforto, à localização e à qualidade de vida. Já aquele que pretende revender em prazo menor precisa observar a liquidez, o estágio do empreendimento, o preço de aquisição e as condições futuras do mercado.
A comparação com outras alternativas financeiras deve ser feita com critérios equivalentes, considerando riscos, liquidez, tributação, custos, prazo e objetivo. O imóvel possui características próprias: é um bem físico, exige manutenção e pode demandar mais tempo para ser vendido. Por outro lado, pode oferecer utilização direta, renda de locação e participação no patrimônio do proprietário.
A decisão deve partir da finalidade do comprador e de uma análise cuidadosa das condições reais do imóvel e do mercado.
5. Perspectivas para o mercado imobiliário pernambucano
A Região Metropolitana do Recife e o litoral sul apresentam fundamentos diferentes, mas complementares, para a compreensão do mercado imobiliário pernambucano.
Na região metropolitana, a concentração de atividades econômicas, serviços e infraestrutura urbana sustenta uma demanda habitacional diversificada. O desempenho de 2025, com aproximadamente R$ 10,1 bilhões em VGV comercializado e 12.061 unidades vendidas, demonstra a dimensão alcançada pelo setor.
No litoral sul, o turismo, a segunda residência e a expansão de empreendimentos imobiliários constituem elementos importantes da dinâmica regional. Os indicadores da EMPETUR apontam crescimento da atividade turística estadual, enquanto os levantamentos sobre lançamentos em Ipojuca, Tamandaré e Cabo de Santo Agostinho demonstram a intensidade da produção imobiliária nesses municípios.
O futuro do setor dependerá de uma combinação de fatores: condições de crédito, renda das famílias, emprego, custos de construção, infraestrutura, oferta de novos empreendimentos, capacidade de absorção do mercado e evolução da atividade turística.
Também será importante acompanhar a relação entre o volume de lançamentos e a demanda efetiva. O crescimento da oferta pode ampliar as alternativas para o comprador, mas exige atenção ao estoque disponível, ao estágio das obras e ao ritmo de comercialização.
No litoral, a consolidação dos destinos turísticos e a qualidade da infraestrutura local serão fatores relevantes para a continuidade do desenvolvimento. Na região metropolitana, a localização, a mobilidade, a oferta de serviços e a adequação dos produtos às necessidades da população continuarão exercendo influência sobre a procura.
Não é possível afirmar que todos os segmentos terão o mesmo desempenho ou que os resultados recentes se repetirão automaticamente nos próximos anos. O acompanhamento periódico de indicadores e fontes confiáveis é indispensável para compreender as mudanças do mercado.
Conclusão: compreender o mercado antes de escolher um imóvel
Pernambuco oferece diferentes possibilidades para quem deseja comprar um imóvel. A Região Metropolitana do Recife reúne oportunidades associadas à moradia, ao trabalho, aos serviços e à dinâmica urbana. O litoral sul, por sua vez, apresenta alternativas relacionadas ao turismo, ao lazer, à segunda residência e à locação por temporada.
Esses mercados possuem características próprias e devem ser analisados de acordo com a finalidade de cada aquisição. O imóvel adequado para uma família que pretende morar próximo ao trabalho pode não ser o mesmo que atende a um investidor interessado em hospedagem turística. Da mesma forma, um empreendimento voltado ao lazer pode oferecer uma experiência diferente daquela procurada por quem deseja uma residência permanente.
Os números ajudam a compreender o cenário, mas a decisão imobiliária exige uma avaliação mais ampla. Localização, qualidade construtiva, documentação, infraestrutura, custos, perfil da demanda, liquidez e condições de aquisição precisam fazer parte da análise.
Na JC Zarzar Imóveis, entendemos que a escolha de um imóvel deve estar alinhada aos objetivos de quem compra. Seja para morar, investir ou adquirir uma segunda residência, conhecer as características de cada região e compreender o contexto do mercado são etapas fundamentais para uma decisão mais segura.
Observações sobre os indicadores apresentados
*Os dados de VGV comercializado, unidades vendidas e VGV de lançamentos possuem significados distintos. O VGV comercializado representa o valor das vendas realizadas no período, enquanto o VGV de lançamentos corresponde ao valor potencial dos empreendimentos lançados. Esses indicadores não devem ser confundidos.
** Os indicadores de atividade turística apresentados são referentes ao estado de Pernambuco, não exclusivamente ao litoral sul. Já os índices de ocupação hoteleira de Ipojuca e Tamandaré correspondem ao período específico de Réveillon 2025, não representando a ocupação média anual desses destinos.
*** O Índice FipeZAP acompanha os preços de imóveis anunciados na internet. Seus resultados constituem uma referência para observar o comportamento dos preços de oferta, mas não representam necessariamente os valores efetivamente negociados nas transações imobiliárias
Fontes e referências
As informações e os indicadores apresentados neste artigo foram consultados em levantamentos institucionais e publicações que identificam suas respectivas fontes e períodos.
1. Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Pernambuco (ADEMI-PE) e Brain Inteligência Estratégica
Pesquisa sobre o desempenho do mercado imobiliário da Região Metropolitana do Recife em 2025. Dados de VGV comercializado, unidades vendidas e lançamentos.
Referência complementar: divulgação dos resultados do levantamento pela ADEMI-PE e cobertura do Jornal do Commercio.
2. Secretaria de Turismo e Lazer de Pernambuco (SETUR-PE) e EMPETUR
Indicadores do Índice de Atividade Turística, com base na Pesquisa Mensal de Serviços do IBGE. Dados referentes ao acumulado de janeiro a novembro de 2025, comparados com 2024 e 2019.
3. EMPETUR — Observatório do Turismo de Pernambuco
Levantamento de ocupação hoteleira para o período de Réveillon 2025, realizado entre 27 de novembro e 30 de dezembro, com consulta a 184 meios de hospedagem em 22 municípios.
4. Brain Inteligência Estratégica e ADEMI-PE
Estudo sobre o mercado imobiliário de Cabo de Santo Agostinho, Ipojuca e Tamandaré, com dados de lançamentos e oferta imobiliária até setembro de 2025. Informações divulgadas em dezembro de 2025 pelo portal Movimento Econômico.
5. Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) e Índice FipeZAP
Informe de dezembro de 2025 — venda residencial. Indicadores de preços anunciados para Recife, incluindo variação acumulada no ano e preço médio anunciado por metro quadrado.
Nota metodológica: os indicadores de vendas e lançamentos imobiliários, preços anunciados, atividade turística e ocupação hoteleira possuem metodologias e abrangências distintas. Não devem ser interpretados como medidas equivalentes. Os dados de preços anunciados não representam necessariamente os valores efetivamente negociados, e os indicadores turísticos não asseguram ocupação ou rentabilidade de imóveis individuais.
Artigo elaborado pela JC Zarzar Imóveis. Dados apresentados com seus respectivos períodos de referência. Recomenda-se revisão periódica conforme a divulgação de novas pesquisas e indicadores.





